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02 fevereiro, 2014

Feita de fumaça e osso

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Parecia um livro chato no começo. Eu tinha lido Puros há pouco tempo, que também falava de algumas coisas que não existem, e fiquei meio entendiada no início. Tem monstros nesse. Não são monstros ruins, como os dos filmes de terror. Mas tem. E eu imagino que muitas coisas que não existem hoje podem, um dia, existir, mas definitivamente não acredito que um dia teremos monstros.

Depois de um tempo, e de alguma insistência da minha parte, o livro revelou-se bom. E mais ou menos perto da metade se tornou um daqueles livros que a gente não quer nunca, nem por um segundo parar de ler.

Sinceramente, não sei resumir a história. Não sei dizer do que trata. Foi, pra mim, um livro meio forte. Mas talvez só para mim. 

Retrata a noção de pontos de vista: o que para a grande maioria das pessoas é ruim, para alguém em específico pode não ser. Pontos de vista. sempre relativos.

Conheço gente que fez e faz muito mal à muitas pessoas. Gente ruim, gente promíscua, gente difícil, gente de má índole, gente com gosto esquisito, gente que não se importa. E conheço gente assim que, para mim, não é nada disso. E eu gosto dessa gente. Gosto demais dessa gente. Uma gente, específica. Porque para mim é exatamente o oposto de tudo de ruim.

Uma gente, que aos olhos de muitas outras gentes, não valia uma moeda sequer. Uma história que soará absurda se contada. Uma história passada que mudou a minha vida. Não sei, ainda, se para melhor ou para pior. Provavelmente, nunca vou saber. Mas mudou. E muda todo dia.

Fala de amor. E eu tenho essa mania idiota de achar que o amor pode mudar as pessoas. Idiota, mas minha mania. E não sei como me livrar dela.

É. O amor. Eu gosto das histórias de amor. E eu sei que pareço durona, muito bem resolvida, confiante, tranquila, segura e bla bla bla. Mas boa parte disso é só uma máscara que esconde a menina romântica e sonhadora (e, porque não dizer, meio burra...) que existe em mim. Isso também me fez gostar desse livro. A menina que se vê diante de um cara por quem ela sabe que vai se apaixonar. Por quem ela sabe que não deve, por nada no mundo, se apaixonar. E, ainda assim, se permite. Não consegue evitar.

De um lado a esperança, de outro lado o medo de sentir esperança. E os dois lados juntos.

Perdi a conta de quantas vezes eu fui essa menina. E provavelmente ainda serei algumas vezes.

Fala de busca. Procura. Incessante. Aquela coisa de "eu sei que deveria estar em outro lugar, fazendo alguma outra coisa, mas ainda não sei o que é". A coisa de "eu ainda não encontrei o que estou procurando". E entregar-se a isto, mesmo sem saber. E buscar. E ir. E ver, tantas vezes, o mundo tentando te mostrar que aquele caminho é errado, mas ter a certeza dentro de você que o caminho é certo. e continuar seguindo por ele. Contra tudo. Contra todos. A história da minha vida...

Fala de traição. E de decepção. Aquela que você não espera. A pessoa por quem você colocaria não apenas a mão no fogo, mas seu corpo inteiro. E depois descobre que foi exatamente essa pessoa que ateou o fogo. A dor da decepção, e a marca eterna que ela deixa.  E você pode até perdoar, mas nunca deixará de sentir a dor que a decepção causou.

E fala de felicidade. A felicidade verdadeira, mas que é vivida apenas por alguns instantes. Dias, meses, anos, tempo relativo, porque quando não é pra sempre, é sempre por instantes. O livro mostra isso, e eu vivi exatamente isso. É como experimentar a mais deliciosa das frutas, e minutos depois saber que aquela fruta não existe e nem nunca mais vai existir. E conviver com isso para sempre: nada, nem ninguém, nem lugar nenhum vai ser igual. Não há substituição. E a tristeza, bom...a tristeza não passa.

A grande maioria das coisas, na vida, passa. Mas algumas tristezas são eternas.

O livro é muito bem escrito, embora às vezes cansativo. E acaba com um  "continua...", o que indica que provavelmente vai ser uma trilogia. Acho que virou moda fazer trilogias atualmente.

Sinceramente, não sei se vou ler os demais. O final deste livro é como está sendo o meu final. E eu não estou pronta ainda para mudá-lo.

Qualificação: 4 estrelas
Nível de recomendação: se você começou a ler, não desista no começo (o que é extremamente provável). Vale a pena.


23 dezembro, 2013

Garota exemplar

1 comentários

Desde que eu terminei de ler este, eu tinha certeza absoluta que precisaria escrever sobre. E nem tinha pensado em começar esse blog ainda. Mais um daqueles livros que mexe comigo porque parece que alguém está de camarote assistindo um pedacinho da minha vida e resolve, como quem não quer nada, contá-lo num canto coadjuvante de um livro.

Estranho. Bem estranho.Mas o mais estranho é conhecer gente que é exatamente igual ao casal de personagens principais deste livro. Estranho e insano.

Eu já tinha visto esse livro nas prateleiras muitas vezes antes de comprá-lo, mas não sabia do que se tratava. Aliás, raramente leio as sinopses dos livros. Gosto da surpresa, e compro os livros pela capa. Essa capa, confesso, não tinha me chamado muito a atenção, então vários outros passaram na frente dele. Mas teve um dia que não consegui mais fugir.

É um casal feliz, até que, por problemas com a família dele, os dois precisam se mudar de Nova York para um fim de mundo qualquer. E, de repente, a moça some. Desaparece. E ninguém sabe o que aconteceu com ela., mas todos sabem que muitas pistas começam a indicar que ele "desapareceu" com ela.

A tal moça tem pensamentos que se parecem bastante com os meus. Ela fala da rotina imbecil em que alguns casais se permitem viver. Da futilidade das brigas por ciúme. Dos questionamentos irritantes da sociedade sobre ter filhos ou arrumar um marido. Das aparências sem sentido que muitos tentam manter. Estes continuam sendo os meus pensamentos, mas os dela...

O cara é um típico marido insatisfeito e acomodado. Tem uma amante, e embora prometa à ela que vai largar a mulher, nunca teve realmente a intenção de fazer isso. É fácil enganar uma amante apaixonada.

O livro é narrado pelo marido, mas surpreende quando a narrativa passa a ser da esposa desaparecida.

Embora pareça, não é um livro policial. Na verdade, ele mostra até onde uma pessoa é capaz de ir para conseguir o que quer.

Como já relatei por aqui, eu tive uma experiência de vida muito ruim. Faz pouco mais de um ano. Mas o conceito de recente fica bem relativo quando você simplesmente não consegue tirar um fato de dentro de você. Pode se passar uma década, e sempre vai parecer que foi ontem. E sempre vai doer como se tivesse sido ontem.

Com os dias se passando, fica ainda mais difícil entender certas coisas, como a ligação que as pessoas tem entre si. A ligação doentia que as pessoas tem e fazem questão de manter entre si. Fazem questão mesmo, independente de tudo. Você desperdiçaria a sua vida inteira simplesmente por não querer que outra pessoa saia do seu lado?

Particularmente, para mim é o maior absurdo do mundo você viver com alguém por simples capricho. Por comidade. Por status. Por preguiça de um novo começo. Por irresponsabilidade. Por fraqueza. Por covardia. Por egoísmo.

Acho um absurdo também viver uma vida que não existe. Mostrar para os outros aquilo que não se vive. Fingir que está tudo bem. Deixar o tempo passar e se manter numa situação não saudável. Sobreviver num inferno apenas por não saber enfrentar o medo do julgamento que as pessoas farão.

O livro é bastante surpreendente e prende a atenção. A forma como o autor expressa as coisas por palavras é fantástica. Gostei muito.


É um livro que eu gostaria demais de dar de presente a um casal. O casal que vive exatamente tudo que é retratado no livro... Talvez, lendo a história deles contada por outra pessoa, eles veriam a idiotice que estão fazendo de suas vidas. Mas não vou fazer isso. Ou vou... Quem sabe, né? Soube que o filme vai ser lançado em breve. Talvez eu indique o filme a eles.

Qualificação: 4 estrelas
Nível de recomendação: o bom sendo me impede de citar nomes, mas eu indico muito mega master para duas pessoas queridas (ou não tão queridas assim).

30 novembro, 2013

O escolhido

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No fim do ano de 2012, eu fiz uma cirurgia. Fiquei uns vinte dias de molho, e foi tudo de bom, porque li vários livros. Esse foi um deles.

Não me recordo de ter lido outro do mesmo estilo. A mocinha do filme é uma assessora, ou secretária (não me lembro...) do presidente, e simplesmente acha que ele é o melhor presidente do mundo: o típico tiozinho perfeito que todo mundo ama.

De repente, ela é demitida da Casa Branca, e, ao mesmo tempo, surge um fulano que não apenas não gosta do tal presidente, como também está bastante disposto a prejudicá-lo. Claro, a tal mocinha começa a fazer um monte de investigações, por conta própria, para descobrir se o presidente é mesmo o cara mau escondido atrás do rostinho bonito.

O fulano que estava fazendo as críticas ao presidente aparece morto, e aí a coisa começa a complicar, porque as suspeitas, obviamente, recaem sobre o presidente. E a mocinha se vê no dilema entre acreditar em si mesma ou nas evidências que vão aparecendo contra uma pessoa em quem ela confia.

Mostra os bastidores da política, e, mesmo sendo pura ficção, é uma daquelas histórias tão reais que a gente fica se perguntando se o autor não escreveu tudo aquilo como indireta para alguém, ou para algum fato de que ele tem conhecimento.  Tem um gostinho de suspense bem delícia. 

Na época, eu ainda não sabia que mais para frente teria a minha própria história real de suspense, traições, decepções e intriguinhas. Nem imaginava. Ninguém poderia imaginar, para dizer bem a verdade. Mas acontece nas melhores famílias.

Dessa vez não tem nenhuma semelhança entre o livro e eu (o que é meio que raro, porque eu sempre me encaixo nas histórias dos outros). Mas marcou uma fase em que eu acreditava que as coisas poderiam dar certo, mesmo tendo começado erradas. 

Não posso dizer que aprendi a lição. Eu nunca aprendo. Sou dessas mesmo... Mas ainda não deu tempo de cicatrizar tudo, e, enquanto eu sinto a dor, certamente evito situações ou pessoas que podem me machucar de novo. Ou pelo menos tento evitar.

Vez ou outra, confesso, eu mesma arranco a casquinha da ferida, só para ver se ainda sangra. E sempre sangra. Mas, de uma maneira geral, acho que estou caminhando para a cura (se é que ela existe).

O livro é daqueles que logo no início fazem você não querer parar de ler. É bem envolvente, e prende muito atenção. E, mesmo tratando de um assunto relativamente difícil - eu odeio política, então, para mim, é um assunto difícil - a leitura é bem fácil e flui rapidamente.  E eu cheguei a ter uma bela de uma recaída na minha mania idiota de roer unhas quando estava lendo este.

Ouvi dizer que os outros livros do mesmo autor são bem bacanas também, mas, por enquanto, não estão na minha fila de  "para ler".

Qualificação: 4 estrelas (quase cinco!)
Nível de recomendação: livo para devorar.
 

Este eu já li © 2010

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